Policia

Secretário preso em operação que investiga desvios milionários na Saúde é exonerado em Penápolis

Justiça decretou prisão preventiva de Wilson Carlos Braz e aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público. Mais de 45 pessoas foram presas durante operação que cumpriu mandados em Birigui e Penápolis (SP).

Viagens, luxo e prostituição: com a ajuda de políticos, quadrilha gastou milhões desviados do combate à Covid — Foto: Montagem/G1 Viagens, luxo e prostituição: com a ajuda de políticos, quadrilha gastou milhões desviados do combate à Covid — Foto: Montagem/G1

A Prefeitura de Penápolis (SP) publicou a exoneração do secretário municipal de Saúde Wilson Carlos Braz, que foi preso durante uma operação deflagrada para investigar um grupo especializado em desviar dinheiro da área da saúde pública por meio de contratos milionários com municípios e Organizações Sociais (OS).

Consta no diário oficial de quarta-feira (14) que o pedido de exoneração foi feito pelo próprio secretário de Saúde no dia 13 de outubro de 2020. A TV TEM entrou em contato com a prefeitura, mas até a publicação dessa reportagem não tinha recebido resposta.

Mais de 45 pessoas foram presas durante a operação Raio X. A Justiça de Penápolis converteu a prisão preventiva de 17 suspeitos e aceitou denúncia contra 35, enquanto a de Birigui (SP) decretou 27 prisões preventivas e aceitou denúncia contra 43.

Segundo o Ministério Público, cerca de 70 alvos foram denunciados por crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude em licitação.

Entre os suspeitos que tiveram e prisão preventiva decretada e a denúncia aceita pela Justiça estão Wilson Carlos Braz e Cleudson Garcia Montali.

Investigações realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil apontaram que a organização criminosa era liderada por Cleudson Garcia Montali. O anestesista, que foi diretor em várias unidades de saúde, chegou a ser homenageado com o título de cidadão Emérito nos municípios de Birigui e Agudos.

Por meio da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui e Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu, Cleudson Montali celebrou contratos de gestão mediante licitações fraudulentas com o poder público para administrar a saúde de diversos municípios e desviando parte do dinheiro repassado por força do contrato de gestão às referidas Organizações Sociais.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e a Polícia Civil descortinaram um esquema de desvio de dinheiro público extremamente orquestrado e sofisticado por meio de contratos de gestão não apenas no município de Birigui, mas em diversos municípios do estado de São Paulo e também em outros estados.

Segundo o G1 apurou, as investigações mostraram que a organização criminosa, mediante acordos previamente firmados com as prestadoras de serviços contratadas, desviou grande parte das quantias repassadas às Organizações Sociais, ora por meio de superfaturamentos, ora por meio de serviços não executados, sempre mediante emissão de notas frias.

Os atos criminosos ocorreram de maneira reiterada, sendo que parte do dinheiro desviado foi objeto de lavagem de dinheiro. Além dos crimes citados, as investigações apontaram também que os alvos da operação teriam praticado crimes de corrupção ativa e passiva, além de falsidades ideológicas.

As investigações também demonstraram que a organização, que viu o atual cenário da pandemia como uma oportunidade única para desviar dinheiro, contava com uma vasta rede de contatos criminosos em diversas localidades.

No caso de Cleudson, por exemplo, ele conseguia efetuar o crime por meio de pessoas interpostas, dirigindo as Organizações Sociais nas quais efetuava desvios milionários. Embora Cleudson já estivesse sendo investigado e alegado que iria se afastar das Organizações Sociais, o mesmo não ocorreu.

O G1 apurou também que as investigações ainda apontaram que Cleudson adquiriu outras duas novas Organizações Sociais justamente como forma de ampliar seus horizontes.

Até então, ele agia por meio das Organizações sociais de Birigui e Pacaembu. Contudo, nos últimos tempos o médico também vinha agindo em outros estados, desviando milhões em plena época de pandemia gerada pelo coronavírus, conforme o Ministério Público.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e a Polícia Civil descobriram que alguns denunciados ocultaram, destruíram e até mesmo queimaram provas, enquanto outros falsificaram documentos para obstruir e dificultar a investigação envolvendo as Organizações Sociais.

O Fantástico apurou que alguns dos acusados de participar da quadrilha levavam uma vida de milionário, comprando mansões, carros importados, aviões e helicópteros.

De acordo com as investigações, Lauro Henrique Fusco Marinho bancou uma viagem para o México e muitas outras com o dinheiro da Saúde. Ele é médico e dono de duas empresas que deveriam atender as Organizações Sociais de Cleudson. Muitos dos serviços não eram realizados, mas mesmo assim, Lauro emitia notas fiscais só para desviar verbas.

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