Instrutor de paramotor lança sementes de ipês durante voos no interior de SP: ‘Podemos fazer a diferença'

Marcelo de Oliveira, de Araçatuba (SP), teve a ideia depois de assistir uma reportagem em que um casal de biólogos sobrevoava a região Amazônica para recuperar áreas desmatadas.
20/10/2019 06:06 Cultura / Lazer
Foto: Reprodução
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Quais atitudes você coloca em prática para combater os impactos causados no meio ambiente pela intervenção humana? Pensando nas próximas gerações, o instrutor de paramotor Marcelo de Oliveira decidiu utilizar a experiência adquirida ao longo dos 15 anos de profissão para lançar sementes de ipês enquanto sobrevoa às margens do Ribeirão Baguaçu, em Araçatuba (SP).

Embora pilote diariamente ensinando as pessoas que se interessam pelo esporte, Marcelo realiza a ação somente aos fins de semana, quando está acompanhado da mulher.

Enquanto Márcia Moraes, de 39 anos, é a responsável por pilotar o paramotor, o instrutor pega as sementes separadas antecipadamente e semeia o solo.

“Eu preciso da ajuda dela para conseguir espalhá-las, pois não consigo sozinho. Além disso, ela também me dá informações sobre a direção do vento para eu ter controle sobre onde as sementes cairão. Nós sobrevoamos as áreas que possuem pouca vegetação e regiões distantes da cidade. Locais onde as construções demorarão a chegar”, afirma Marcelo, de 45 anos.

As sementes usadas são recolhidas de um pé de ipê plantado no quintal da casa do instrutor, no bairro São Rafael. A ideia de unir a paixão de voar com a responsabilidade ambiental nasceu da vontade de dar uma nova destinação para as sementes, que eram jogadas no lixo diariamente.

“Todos os dias de manhã eu varria um punhado de sementes. Até que eu parei para pensar e comecei a juntá-las. Quando eu percebi, tinha conseguido diversos sacos com sementes. Então, passei a reutilizá-las, porque assim consigo completar o ciclo natural da natureza”, diz Marcelo.

Além de espalhar as sementes durante os voos de paramotor, o instrutor também faz mudas e doa para pessoas interessadas em plantá-las. Por saber que a espécie germina com muita facilidade, ele acredita que o método escolhido trará bons resultados.

“Eu vejo acontecer no meu quintal. As sementes caem e brotam muito facilmente. Enquanto não recebem água, elas permanecem em ‘dormência’ e conseguem ficar intactas durante meses. A quebra da ‘dormência’ é feita com a água e o calor. Então, assim que chover, elas irão germinar”, explica o piloto.

O primeiro contato de Marcelo com o esporte foi há 15 anos por meio de uma reportagem exibida pelo Globo Repórter. Antes, ele ganhava a vida como músico, tocando bateria como freelance.

“A matéria contava a história de um casal de biólogos que sobrevoava a região Amazônica utilizando um paramotor. Durante os voos, eles lançavam sementes de castanheiras em regiões devastadas pelo desmatamento”, diz o instrutor.

Depois de se apaixonar pelo paramotor, ele começou a pesquisar sobre o esporte e viajou a São Paulo, onde participou de um curso e aprendeu o manejo dos equipamentos.

Apesar de não ser o principal objetivo de Marcelo, a ação ambiental tem repercutido de forma positiva em diversas regiões do Brasil. Muitas pessoas passaram a procurá-lo para parabenizá-lo.

“Eu realmente não esperava. Alguns moradores de estados diferentes do Brasil entraram em contato comigo querendo enviar sementes de outras árvores, inclusive as nativas. Outros me indicaram pontos para eu espalhar as sementes. Enfim, estou achando muito bacana”, diz o instrutor.

Ao espalhar as sementes de ipês sobre regiões com pouca vegetação, além de contribuir com o meio ambiente, o profissional também espera influenciar outras pessoas.

“É fácil juntar sementes, criar mudas, plantá-las ou doá-las para alguém. Assim a gente consegue atingir um número grande de pessoas que podem plantar árvores em diversos locais", afirma Marcelo.

"Muitos destroem o planeta. Por isso, necessitamos de muitas pessoas com vontade para reflorestar e contribuir com o meio ambiente. Precisamos divulgar cada vez mais trabalhos como este para que outras pessoas percebam que podemos fazer diferença”, completa o instrutor de paramotor.

Considerado o símbolo do Brasil por decreto federal, o ipê amarelo, também conhecido como ipê comum, chega a medir entre 15 e 25 metros de altura, com tronco girando em torno de 40 a 70 centímetros de diâmetro.

A árvore possuí casca escamosa e tradicionais flores amarelas que lhe conferem o nome. Suas folhas são verde-escuras, em grupos de três ou mais unidades em um único galho.

O ipê amarelo costuma florescer a partir de julho, período que pode durar até meados de setembro, quando fica completamente sem folhas. A maturação dos frutos se dá entre outubro e novembro.

Uma boa maneira de se obter as sementes dessa espécie é colher seus frutos quando iniciarem a abertura espontânea e depois deixar que o restante do processo aconteça sob o sol. A germinação costuma ser superior a 60%.

As mudas ficam prontas para o plantio definitivo entre 4 e 6 meses e são ótimas para usos externos como arborização de parques e jardins. Extremamente ornamental, o ipê amarelo também é responsável por embelezar as ruas e avenidas de cidades.

Fonte: G1

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