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Jovem que perdeu mãe, avó e avô para Covid desabafa sobre doença: 'Pode acontecer com qualquer um'

Familiares morreram com uma diferença de menos uma semana em Araçatuba (SP). Os três foram entubados e receberam atendimentos em hospitais do município.

Foto: Reprodução Foto: Reprodução

O desabafo pertence ao estudante de administração Matheus Zanchetta Amorim. Morador de Araçatuba (SP), o jovem, de 22 anos, precisou lidar com a dor de perder, em menos de uma semana, a mãe, a avó e o avó para a Covid-19.

Na última quarta-feira (17), o contador Roberto Zancheta, de 70 anos, morreu. Dois dias depois, a esposa dele, Aurea Viana Zancheta, de 68 anos, veio a óbito. Em seguida, a filha do casal, a esteticista Karine Zancheta, de 45 anos, também não resistiu.

Roberto estava internado em um hospital particular, enquanto Aurea e Karine receberam atendimento médico na Santa Casa de Araçatuba. Os três foram entubados e ficaram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Matheus relatou ao G1 que a mãe foi a primeira da família a começar a sentir os sintomas associados à Covid-19. “Meus avós começaram a sentir os sintomas um pouco depois. Isso foi na última semana de fevereiro”, diz.

Antes de serem levados para os hospitais, pai, mãe e filha permaneceram em isolamento domiciliar. Porém, os três começaram a piorar e precisaram de ajuda.

“Minha mãe estava no décimo segundo dia de isolamento quando foi internada. Ela passou muito mal. Teve muita falta de ar e ficou desfalecida na cama. A ambulância chegou para buscá-la e a levou para a Santa Casa”, conta.

O jovem diz que a família, após a Karine ser internada, decidiu levar os avós para fazer uma tomografia.

“Os médicos constaram que os dois estavam com 25% dos pulmões comprometidos. Eles passaram a noite no hospital e voltaram para casa”, relata.

Dias depois, Roberto e Aurea pioraram e precisaram retornar para o hospital particular. Os dois foram internados em dias diferentes. Roberto primeiro, e Aurea em seguida.

“Minha avó e minha mãe já estavam entubadas, mas meu avô não sabia. Logo depois, ele também precisou ser entubado”, relembra.

Matheus conta que o avô e a mãe sofreram paradas cardiorrespiratórias por conta da doença e não resistiu. Já Aurea teve sangramento no cérebro.

“Minha mãe passou muito mal. Meu avô não sentiu muito. Já minha avó apresentou sintomas leves. Até cheguei a pensar que meus avós eram assintomáticos”, diz.

O jovem relata que a família ainda tinha esperança, mas já tinha se preparado para enfrentar o pior.

“Pensamos que minha mãe resistiria. Foi um choque muito grande. Ela não tinha nenhuma comorbidade. Sabemos que a doença é letal. A gente vê as notícias, mas não espera que vai chegar na nossa casa”, desabafa.

Até a noite de terça-feira (23), Araçatuba contabilizava 16.637 casos positivos de Covid-19, dos quais 14.098 estavam recuperados e 401 tinham morrido.

Inclusive, uma menina de apenas 10 anos morreu por conta da doença nos últimos dias. Ela lutava contra um câncer havia anos, segundo informou a Secretaria de Saúde.

Atualmente, 149 moradores estão internados em hospitais de Araçatuba, sendo 86 em enfermaria e 63 em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

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