Atenção à puberdade precoce evita, inclusive, danos emocionais

Problema precisa ser tratado para evitar doenças sérias, como câncer
27/09/2019 11:55 Saúde
Levar a filha ao endócrino pediatra ajuda no diagnóstico do problema (Foto: Getty Images/iStockphoto)
Levar a filha ao endócrino pediatra ajuda no diagnóstico do problema (Foto: Getty Images/iStockphoto)

São vários os fatores que levam ao problema, por isso, é preciso ficar atento aos sintomas e, principalmente, à mudança repentina no comportamento dos filhos que podem indicar a puberdade precoce, que não tratada prejudica o crescimento e causa desiquilíbrio emocional.

“Prejudica a estatura final. Pode predispor a câncer de mama e endométrio pelo tempo de hormônios. Acontece mais em meninas e o tratamento é com medicação que age na hipófise e diminui a produção dos hormônios sexuais. O tratamento dura até, mais ou menos, a menina completar 11 anos”, explica a endocrinologista pediátrica, Lilian Martelo.

Os sintomas são crescimento das mamas, dor nas axilas e aumento de volume testicular. “Em meninas, acontece antes dos 8 anos de idade e nos meninos, antes dos 9 anos”, detalha a médica. “Os pais atentos percebem a mudança de comportamento e mudança física como mama, pelos e o cheiro do suor”.

No entanto, é possível evitar que isso ocorra com uma boa alimentação, exercícios físicos e diminuindo o tempo que as crianças ficam nos celulares o que, consequentemente, leva ao sedentarismo e potencializa a ansiedade. Os pais que notarem alguma anormalidade precisam procurar um pediatra ou endocrinologista.

Vanessa Ipo relata que observando o comportamento da filha, percebeu que alguma coisa estava errada. Marcou uma consulta com o médico e descobriu que o estresse em excesso eram sintomas da puberdade precoce na menina que tem apenas 8 anos. “Era um comportamento de adolescente. Estava irritada, nervosa e apareceu a mama em setembro de 2018”.

A menina fez exames de ressonância e sangue, por conta dos hormônios. Para a surpresa da mãe, o resultado mostrou que a filha estava com o útero e ovários como os de uma mulher adulta. “Estava prestes para menstruar. Tive que comprar os primeiros medicamentos porque era grave, pois depois que a desce pela primeira vez, não para”.

Os remédios são caros e não têm em Campo Grande. Vanessa entrou com pedido de medicamento na Casa da Saúde e recebeu o direito de pegar todos os meses uma injeção para filha. “Ela toma o Lectrum a cada 28 dias. É intramuscular, então levamos no hospital ou posto de saúde para ser aplicado”.

O tratamento é doloroso, porém o mais difícil é explicar à criança o que está acontecendo com seu corpo e o motivo de precisar aguentar firme as picadas. “A agulha é grossa, depois dá vermelhidão no local. Pode deixar mancando, com dor, ânsia de vômito, sangramento vaginal, fome, pois são reações do medicamento. Expliquei pra ela o motivo do procedimento, mas não como acontecia. Não tem jeito, é para o bem dela”.

A criança completa 9 anos em dezembro de 2019, e mede 1,37 de altura. Após dar início aos cuidados necessários, o problema regrediu. “Ela faz exames de sangue a cada três meses, e renovo o laudo na Casa da Saúde. A medicação é para dois anos, até ela completar os 11 anos, período considerado normal para menstruar”.

Vanessa lembra que também passou por uma situação parecida quando criança, porém seus pais não tinham conhecimento sobre o assunto. “Menstruei com 9 anos e meio. Mas, naquela época ninguém investigava. Continuo com 1, 55 de altura”.

Conforme a ginecologista Maria Auxiliadora Budib, as meninas têm até 20 vezes mais chances de desenvolver a puberdade precoce, que os meninos. “É a fase da vida em que há a transição da infância à fase adulta; onde ocorrem modificações corporais, estimuladas pela produção de hormônios sexuais”.

Caso não tratado, pode trazer consequências, inclusive, psicológicas. “A criança pode sentir-se insegura, diferente de seu grupo, com sinais de isolamento social mediante a situação estressante do corpo não corresponder ao seu estado psicológico. Por isso é importante a avaliação clínica e psicológica”.

Outro motivo importante para se manter atento a tudo relacionado as crianças, é que esse problema pode ocasionar doenças graves. “Se a causa for central, relacionada a tumores e hiperplasias glandulares, o diagnóstico precoce evitará prejuízos que comprometem o pleno desenvolvimento e qualidade de vida”.

“Após análise criteriosa que são analisadas com exames clínicos e laboratoriais e de imagem; o tratamento será prescrito conforme a causa. Desde o tratamento de tumores e doenças de base até pelo uso de medicamentos para ‘bloquear’ o eixo hormonal que se faz por um período prolongado”, conclui.

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Fonte: Alana tela / Campo Grandes News

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