Inteligência artificial avança e facilita progresso em empresas, indústrias e escolas

Na nova série do JN, Sandra Passarinho mostra exemplos de como os computadores substituíram seres humanos em atividades que exigem tomada de decisão.
08/10/2019 10:49 Educação
Foto: Reprodução
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No mundo do jornalismo, existem profissionais que mergulham em determinados assuntos e acabam se tornando especialistas: jornalistas de economia, de política, de segurança pública, de tecnologia. Na Globo, a Sandra Passarinho nem sabe dizer quantas reportagens ela já fez para o Jornal Nacional em cinco décadas de história. Mas, com absoluta certeza, alguns dos melhores trabalhos dela foram na área de tecnologia.

Foi a Sandra que apresentou uma proposta há alguns meses de mostrar no JN como a chamada inteligência artificial está avançando, inclusive no Brasil, e em algumas áreas que estão longe dos olhos da gente, dentro de fábricas, por exemplo.

Na primeira de uma série de três reportagens, Sandra Passarinho e Rogério Lima mostram exemplos de como os computadores substituíram seres humanos em atividades que exigem tomada de decisão.

A interação humana, essa do olho no olho e da troca de empatia com o outro, é desafiada por uma invenção da humanidade: a máquina treinada para pensar como os seres humanos, mas que olha a vida de outro jeito. Os robôs foram tirados da ficção científica e trazidos para o mundo real. Alguns são chamados humanóides, projetos ainda bem distantes de seres humanos.

Um robozinho nasceu há dois anos e meio no Paraná e já sabe dizer quem ele é.

“Oi, Tinbot. Você é inteligente?”, pergunta a repórter.

“Bem, não é assim aquela coisa que se diga ‘Nossa, que inteligência que ele tem’. Mas eu tenho, sim, alguns módulos com inteligência artificial”, responde o robô.

A inteligência artificial, na maioria das vezes, está dentro de máquinas, computadores e aplicativos, trabalhando em silêncio. E não se percebe que ela existe e está no mundo inteiro.

Imagine um avião andando numa pista sem o comando de um piloto. Isso já é possível. A inteligência artificial comandou um avião que circulou sozinho numa pista, no interior de São Paulo.

Um piloto estava na cabine, mas só para interferir se alguma coisa desse errado. Ao lado dele, o vice-presidente de Tecnologia e Engenharia da Embraer. Essa empresa fez uma parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo para realizar o teste, o primeiro desse tipo em uma aeronave no Brasil. E deu tudo certo, mas o avião só ficou em terra. Ainda há muitos testes a serem desenvolvidos antes que a inteligência artificial possa decolar num voo.

Dentro da fábrica de aviões, também chama a atenção um pequeno robô muito inteligente.

O engenheiro Rafael Cunha criou um robozinho para ajudá-lo a fazer um trabalho que ele já não conseguia fazer direito. E que o robô, com inteligência artificial, faz muito melhor que qualquer ser humano.

“Na aeronave, a gente tem 200 mil rebites, que são elementos de ligação entre peças na fuselagem. Nosso dever como inspetor é ir lá e checar se tudo isso daqui está ok. Um inspetor vai passando a lanterna e ele vai avaliando, um por um, se ele está íntegro ou não. Então, nesse caso aqui, nós já temos um rebite que não passaria nesse teste”, explica.

Já o carrinho inteligente só desliza para lá e para cá ao fazer a inspeção, sem ficar cansado ou tenso. No lugar da lanterna, ele carrega sensores.

“Cada vez que ele para, ele está adquirindo uma imagem da estrutura. Ele vai ficar azul em volta daqueles rebites que ele identificou como íntegro e vermelho naqueles que ele identificou como danificado”, explica Rafael.

A invenção do Rafael vai entrar em linha dentro de um ano.

“Ela é 100% correta?”, pergunta Sandra Passarinho.

“O nível dela está próximo de um ser humano hoje. A nossa ideia é estar um pouco acima em menos de um ano”, conta Rafael.

O cérebro artificial é um como um programa de computador, só que faz tarefas associadas a humanos. Ele usa o algoritmo, uma fórmula matemática para resolver problemas. E a máquina aprende a tomar decisões inteligentes com os dados fornecidos.

Por exemplo: um grupo de pesquisadores da PUC do Rio criou um algoritmo capaz de identificar baleias. Depois de ser treinada com centenas de imagens do animal, a inteligência artificial começa a identificar padrões do que está sendo visualizado.

“Esse retângulo verde mostra que a inteligência artificial está apontando para uma baleia com 99% de probabilidade de ser uma baleia. E essa facilidade depende de uma rede neural que, como nós, aprendemos. Olha, isso é uma baleia”, explica o professor Marco Aurélio Pacheco, professor de Inteligência Artificial da PUC-Rio.

A repórter entra em uma sala de aula em uma escola.

“Meu nome é Sandra, sou jornalista e estou fazendo uma reportagem sobre inteligência artificial. Estou na sala aqui a convite do professor Diego. Ela é importante na educação de vocês?”, pergunta a repórter aos alunos.

“Sim!”, responde a turma.

“Como foi criada para parecer com a inteligência humana, a inteligência artificial vai aprendendo com os erros”, explica o aluno Enzo de Souza Melo.

Os alunos de uma escola da Zona Norte do Rio já aprenderam o beabá da tecnologia que ajuda a entender o conteúdo das matérias. Eles usam uma plataforma digital desenvolvida pela própria escola, numa linguagem que eles conhecem muito bem, a dos games.

“Dá uma levantada mesmo na sua vida acadêmica”, conta o aluno Pedro da Silva Pieratti.

Sandra: Você não tirava essas notas antes da plataforma?

Pedro: Eu tirava, mas me deu uma boa ajudada.

Um joguinho aparentemente simples, mas que identifica os pontos fortes e também quais são as matérias que o aluno precisa focar mais no estudo. Aí a máquina indica videoaulas.

“Para ele tentar relembrar aquele assunto que ele viu em aula, para ele poder depois tentar novamente, ver se ele consegue evoluir. Para fazer essa medição exata de quanto o aluno tem de conhecimento em cada assunto, isso só a máquina consegue fazer”, explica Bruno Fernandes, coordenador de Tecnologia da Informação-TI.

A inteligência artificial está na moda e também na indústria da moda. Em uma planta piloto de confecção, um projeto do Senai para demonstrar novas conceitos de trabalho. Uma peça é escolhida e a modelagem vai ser decidida por máquinas.

“Aqui está saindo toda a modelagem da sua peça, de forma plana”, explica Robson Wank, da gerência de Educação do Senai Cetiqt.

As máquinas são convencionais e já existem no mercado. A novidade é que elas podem conversar, numa linguagem de computação, porque têm inteligência artificial. Como é que elas conversam?

“Por meio de sensores. Foi feita toda uma integração das máquinas e, a partir da leitura desse sensor, ela vai saber a hora exata de puxar o papel. As duas máquinas conversando, olha, já passou todo o papel, pode cortar o tecido”, continua Wank.

De volta à sala de aula, Sandra pergunta aos alunos: "Quem identifica melhor a qualidade da aprendizagem? É o programa de inteligência artificial ou é o professor?"

"O professor", respondem os estudantes.

Mas não dá para negar que a plataforma faz tudo ficar bem mais fácil, porque o professor não consegue individualizar o ensino com tantos alunos na sala.

“Dali, quando ele sai da plataforma, ele vai estudar o caderno e a apostila”, conta Cléia Maria, mãe de aluno.

Repórter: Uma coisa não elimina a outra?

Mãe: Não. Não elimina.

A plataforma ensina também para o professor?

“Muito, porque a gente precisa aperfeiçoar para tornar a profissão docente, o trabalho didático, cada vez mais próximo da realidade do século XXI. A gente não pode ficar para trás”, diz o professor Diego Dias.

É mesmo para frente que se anda. E cada vez mais rápido.

Minutos depois da confecção, sem a interferência humana, a roupa escolhida está pronta e aprovada.

Fonte: G1

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